Véu de Honra, Parte 2 - fiction

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Post  Renato on Wed Aug 06, 2008 5:39 pm

Véu de Honra, Parte 2

Por Nancy Sauer

Edição e Desenvolvimento por Fred Wan

Tradução de Thiago Hayashi


Kyuden Kumiko

Yashinko sorriu ao homem à sua frente. “Me desculpo imensamente, Otomo-san. Estive em Toshi Ranbo várias vezes, mas temo nunca ter ouvido o seu nome.”


“Não estou surpreso,” disse Usharo. Havia uma vaga impressão de tristeza em sua voz. “Meu ramo da família foi muito afetado pela destruição de Otosan Uchi. Só recentemente fui capaz de direcionar minha atenção aos assuntos do Império.”


“Foi um incidente muito desagradável,” disse Kakita Komichi. “Não devemos falar mais disso.” Uma onda de concordância passou pelo pequeno grupo, e então Yashinko retomou a conversa. “Espero que estejam gostando de suas visitas aqui,” ela disse. “É desejo de nosso Campeão fazer de Kyuden Kumiko uma das melhores cortes do Império.”


“Ele ficará satisfeito em saber que está se tornando isso,” disse Usharo. “Estou especialmente impressionado com quantas notícias recebemos ao longo do inverno, comparado às cortes no continente.”


Yashinko assentiu. “Mesmo nos bravios mares de inverno alguns de nossos barcos partem, para buscarem notícias nas cidades costeiras. E os shugenjas Moshi e Yoritomo trabalham com os Tsuruchi para reunirem informações em terra.”


“E quantas notícias impressionantes,” disse Usharo. “Fui capaz de seguir os êxitos daqueles ronins Aranha.”


“Ronins,” disse Komachi. Ela bateu seu leque. “Por que nos importaríamos com eles?”


Usharo gargalhou. “Por que o inverno é longo, e às vezes — mesmo em Kyuden Kumiko — entorpece? Um bando de ronins que vagam por aí matando bandidos seria um bom assunto para um peça de marionetes, não acham?”


Komachi sorriu de volta. “De fato. Eles seriam liderados pelo filho não reconhecido de um grande samurai, é claro, e ele sonha em estabelecer seu bando como um Clã Menor.”


“Ou talvez algo maior,” sugeriu Usharo.


“Um Clã Maior?” disse Yashinko. “Ele seria um grande homem, de fato, para se igualar ao feito de Yoritomo.”


“O que você disse é realmente verdade,” respondeu Usharo, curvando-se levemente a ela. “Mas se posso ter a permissão de falar de um tipo diferente de êxito, Komachi-san, seus arranjos são simplesmente estupendos.”


“Obrigada,” disse Komachi. “Fiquei muito feliz com os materiais que nossos anfitriões nos providenciaram.”


“Gostaria de falar com você às vezes sobre a possibilidade de visitarem Kyuden Otomo, se suas obrigações permitirem.”


“Estaria honrada.”


“Talvez agora, se Yashinko-san não precisa mais de nós?” Usharo olhou intrigantemente à cortesã Mantis.


“Por favor, sinta-se livre,” ela disse. “Desfrutei de sua companhia, mas realmente devo me entrosar.” Yashinko agitou seu leque para indicar o resto da sala, e seus grupos espalhados de cortesãos. “Planejo visitar vocês novamente.”


Depois de Yashinko sair, Usharo se virou para Komachi. “Temo que eu tenha sido levemente impreciso,” ele disse, segurando seu leque diante de sua boca. “Gostaria de falar com você sobre uma visita, mas primeiro desejo falar sobre o problema de seu clã com o Mantis.”


Komachi casualmente moveu seu leque para cobrir sua própria boca. “Não estou certa sobre o que quer dizer, Usharo-san.”


Ele sorriu levemente. “Acho que mesmo uma artista de ikebana está ciente que a Garça e o Mantis estão numa competição para dominar vários grandes portos. Recebi informações sobre os planos do Clã Mantis, e desejo torná-los disponíveis ao seu clã.”


“Perdoe-me se estou sendo lenta de raciocínio,” disse Komachi, “Mas não vejo o motivo pelo qual se envolve neste assunto. Ou assume o lado de meu clã.”


“Não posso imaginar uma Kakita sendo lenta em qualquer coisa,” disse Usharo genialmente. “Tenho certeza de que você está sendo simplesmente distraída pelos pensamentos de sua próxima obra prima. Mas para responder sua questão: o Clã Garça apóia Otomo Hoketuhime para Imperatriz. E eu, eu também penso que o Trono deva ir para alguém com um antiga e nobre linhagem.”


“Ah,” Komachi disse. “Claro. Sim, ficaria feliz em ajudar a passar esta informação à frente.”


“Esplêndido,” disse Usharo. “Tenho certeza de que conseguiremos muito juntos.”


* * * * * *


“Claro que o tempo é importante,” disse Shiba Yoma. “Mas creio que começar com bons materiais é o essencial. Tempo ruim pode arruinar a qualidade, mas um bom tempo não pode criá-lo.” Ele bebeu um copo de chá e o passou ao seu companheiro.


Tsuruchi Etsui aceitou o chá e o segurou para inalar a fragrância das ervas. Ao fazê-lo seus olhos automaticamente varreram a sala, tentando ver quem estava presente e quem poderia estar se aproximando. Os dois homens estavam numa das pequenas mesas espalhadas pelos cantos da grande sala principal. Possivelmente era o melhor lugar no Kyuden para ter uma conversa privada, pois qualquer um que estivesse próximo o bastante para ouvir o que era dito estaria claramente à vista. “Encontrei materiais muito bons nas terras da Garça.”


Yoma assentiu. “É de se esperar: eles são um clã que ama a luxúria. Complexidade, brilho, elegância, equilíbrio. Essas são as palavras chave para a Garça. Encontrei contatos na Garça dignos de cultivo, para acesso a tais coisas.”


Etsui considerou isto. “Você não tem candidatos de seu próprio clã?”


“Sim, mas são difíceis de se encontrar. O que é considerado louvável nas terras da Garça é cotidiano entre a Garça.”


“Tive uma designação às terras do Leão uma vez,” disse Etsui. “Fiquei surpreso pelo que encontrei lá — muitos eram vergonhosos, mas alguns eram promissores. Nunca esperei que um samurai do Leão se importasse com tais coisas.”


“Nem eu. Mas suponho que não deva me surpreender ao ver que eles têm poucos substitutos. Quando um Leão põe algo no coração, não há como detê-lo. Como seus vizinhos ao sul, nunca os tentei. Sem razão particular, é claro.”


Etsui assentiu; ele mesmo não tinha desejo em mexer com o Escorpião. Ele estava para perguntar sobre o Unicórnio quando viram Yoritomo Yashinko vir em sua direção.


“Bom dia, Shiba-sama, Etsui-san,” ele disse com um sorriso. “Espero não estar interrompendo sua conversa.”


“Tenho certeza de que só adicionaria a ela,” respondeu Yoma. “Gostaria de se juntar a nós? Estamos discutindo chá.”


Kyuden Asako

Yoritomo Sachina estudou o reflexo do espelho e fez um leve ajuste à gola de seu kimono. Ela esteve trabalhando por semanas para negociar um acordo de comércio com o Dragão, e conseguiu assegurar termos extremamente bons para seu clã — mas ela ainda tinha que assegurar um acordo final. Hoje, ela colocaria em ação um plano para remediar isto.


Uma porta se deslizou e atrás dela um servo entrou e curvou-se. “Yoritomo-sama, seu visitante chegou.”


“Excelente,” disse Sachina. Ela abaixou o espelho, pegou seu leque e rumou ao corredor. Ignorando ao ainda curvado servo, ela passou para a sala de recepção, pondo um gracioso sorriso em sua face ao fazê-lo. “Boa tarde, Kanaye-san,” ela disse. “Estou muito feliz que possa suportar o problema para se encontrar comigo hoje.”


Togashi Kanaye olhou para cima do arranjo de flores que estava estudando. “Não é problema, Yoritomo-san,” ele disse. “A deixei para trás à margem do rio.”


Sachina piscou. “Claro,” ela disse brilhantemente. Ela se ajoelhou próxima ao monge — bem mais perto do que a decência pediria — e serviu chá para os dois. “Estive aproveitando minha estadia aqui; os Asako são tão hospitaleiros e seu lar é tão amável. Não concorda?”


“Seus olhos estão num horizonte que ninguém mais pode ver,” disse Kanaye, assentindo. Ele bebeu de seu chá e sorriu. “Ferro Benten,” ele disse. “Um achado raro se está fora das terras do Dragão.”


Sachina se alegrou com o lapso de seu visitante numa fala apressada. “Desenvolvi uma apreciação por ele quando estive em Nanashi Mura,” ela disse, “e tenho tentado manter um suprimento comigo desde então.” Ela bebeu seu chá por um momento, e então abaixou seu copo e ajeitou sua manga. “Sei que você está familiarizado com minhas discussões com seus companheiros aqui, mas é útil para mim ter as coisas escritas. Poderia, por favor, revisar isso, e me dizer se confere com sua compreensão da questão?”


Kanaye aceitou o manuscrito, o abriu e o leu. “Para lamber veneno, você deve primeiro beber a garrafa,” ele anunciou ao enrolá-lo de volta.


Sachina não sorriu para isto mas fez algum esforço de sua parte. “Me desculpe, Kanaye-san. Estava dizendo que achou os termos aceitáveis?”


“Tem muitas moscas para muitos sapos ambiciosos,” ele respondeu.


Sachina se fez respirar profundamente antes de responder. “Me desculpe, Togashi-san, mas não entendo. Talvez possa explicar?”


Havia uma tristeza no olhar que ele a deu. “Se você encontra Shinsei na estrada, você deve matá-lo.”


Várias respirações depois, Sachina falou novamente. “Sinto muito, mesmo, Togashi-san, mas temo que deva parar nossa discussão. Como sabe, Moshi Minemi esteve um pouco doente e preciso checar com os curandeiros designados a ela, para ver como ela está indo.”


“Deve-se se curvar para ajudar um homem caído,” concordou Kanaye.


“De fato,” ela disse. “Por favor, sinta-se à vontade para terminar seu chá; um servo lhe mostrará a saída quando estiver pronto.” Ela ergueu-se e deixou a sala com um traço de cansaço em seus passos.


Kanaye a observou sair, e então se serviu outro copo de chá e o bebeu lentamente. Quando terminou, ele pôs o manuscrito em sua manga e saiu, sorrindo para si.
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Post  Renato on Wed Aug 06, 2008 5:40 pm

Moshi Minami inspirou cuidadosamente, impressionada em como sua dor diminuía em tão curto período de tempo. A febre que a deixava muito cansada para andar se fora, e ela podia sentir o peso em seu peito diminuindo.


“Beba isto, lhe ajudará a tossir.”


Minami obedientemente pegou o copo e bebeu. Ela estava esperando algo amargo, e foi surpreendida ao sentir o suave e doce gosto de flores. “Isto estava bom,” ela coaxou.


“Estou feliz que pense assim,” disse Asako Meisuru, “pois você beberá muito disso.” Ela adicionou um punhado de plantas secas a um pote de água fervendo e abanou os vapores sobre a Mantis. “Respire fundo.”


Minami o fez, e depois de alguns minutos se sentia boa o bastante para falar. “Obrigada, Meisuru-san, estou me sentindo muito melhor. Mas estou surpresa que não tenha recorrido aos kamis para me curar.”


“Os kamis são uma poderosa fonte de cura,” concordou Meisuru. “Mas assim também são as plantas que as misericordiosas Fortunas nos deram. Vi muito casos de doenças que os kamis não podiam curar, mas o uso perito de medicina pôde. Teriam elas sido enviadas pelas Fortunas para nos lembrar de seus dons? Não posso dizer.”


“Nunca pensei sobre isto desta maneira,” disse Minami. “Não tenho perícia com os kamis, apesar de muitos em minha família terem. Sempre os invejei.”


“É algo maravilhoso,” disse Meisuru. “Mas sempre senti que havia uma familiaridade entre cortesãos e shugenjas. você fala com as pessoas ao seu redor e procura convertê-las à sua causa; faço o mesmo com os kamis.”


“É um pensamento muito interessante,” disse Minami. “Yoyonagi é uma shugenja. Quando a ver da próxima vez, perguntarei a respeito, e lhe escreverei com uma resposta.”


“Você é muito gentil,” disse Meisuru. “Agora devo deixá-la por um momento — achamos que esta doença está se espalhando pela cidade do castelo, e logo haverá outros que precisarão de minha ajuda. Deixarei um pouco desta bebida para encerrar, e então você dormirá. Voltarei depois para examiná-la.”


“Obrigada novamente,” disse Minami. “Me lembrarei de você.”


Kyuden Otomo


“E então Mura Sabishii Toshi foi devolvido às nossas mãos,” disse Nagori. Ele olhou da pilha de papel em sua escrivaninha. “Temos muito o que agradecer nossos amigos do Leão.”


“É como diz, Nagori-sama,” disse Kakita Senko.


A expressão na face de Nagori não mudou, mas ele mudou sua atenção, de calcular quanta pressão adicional isto colocaria ao Caranguejo para estudar a mulher sentada diante dele. Havia algo levemente ausente no tom da sua voz. “Você tem alguma reserva, Senko-san?” Ele perguntou, observando sua reação.


Os olhos de Senko piscaram rapidamente, tão rapidamente que ele quase não viu. “Não completamente, Nagori-sama. Tudo está em ordem, como pode ver.”


“Senko-san, você tem sido meu contato com Akodo Setai por todo o tempo em que ele foi afastado de Toshi Ranbo — você é meus olhos e ouvidos com ele. Se ouviu qualquer coisa que a incomode, devo saber a respeito.”


“Akodo Setai é a própria alma da sinceridade,” ela disse rapidamente. “Nunca duvidaria de sua palavra, nunca.” Ela pausou. “E ainda assim, não posso me ver confiando em seu clã. O Leão foi nosso inimigo por séculos, e vejo pouca razão pelas quais não retornariam a este estado.”


“Chukandomo?” disse Nagori. “Lady Domotai? Lorde Kusari?”


“E o fato de tanto Leão quanto Garça serem clãs honrados, e terem as palavras de seus Campeões, passados e atuais, como dignas de deferência. Sim. Mas existem diferenças também, diferenças importantes.” Ela parou por um momento, para ver se Nagori falaria, e quando não o fez, Senko continuou. “Nenhum Leão protestaria ao ver Hoketuhime no trono, mas quantos deles prefeririam ver um Leão lá? Quando a primavera vier, eles farão seu movimento para tomá-lo. É inevitável.” Ela ficou em silêncio e esperou.


Nagori pensou em Matsu Atatsuke, sensei de Domotai. Atasuke era um homem honrado e bom, um homem que tinha orgulho de chamar de amigo — e um que nunca, jamais entenderia o motivo de Domotai ter considerado ele digno de receber a primeira espada de Kakita. “O que diz é muito verdadeiro. Mas ao esperar para que ajam de acordo com seus próprios melhores interesses, você também deve se lembrar que agem de acordo ao bushidô. Caso se movam contra nós, suas ações serão completamente óbvias. Posteriormente.”


Senko sorriu levemente. “É minha esperança que eu possa ser de ajuda antes. Até então, você tem alguma mensagem que deseje entregar a Setai-sama?”


“Terei uma carta escrita prontamente,” disse Nagori. “E por favor, o dê minhas congratulações pessoais ao retorno de seu clã para Toshi Ranbo.”


* * * * *


As ameixeiras no jardim do castelo tinham apenas alguns brotos recentes, mas já era o bastante para perder um momento para admirá-las. Otomo Hoketuhime as estudava, imaginando quando demoraria para que o resto brotasse e se alguém realmente notaria. “Elas parecem as mesmas — e ainda assim tudo está diferente.”


“‘Mesmo o mais sábio diz/tudo muda,’”, disse Seppun Kiharu.


Hoketuhime gargalhou e se virou da vista. “E como. No ano passado, hospedei a Corte Imperial. No próximo, posso fazê-lo novamente — como Imperatriz.”


“Parece muito possível,” disse Kiharu. “Ouvi muitos cortesãos de vários clãs diferentes falarem a seu favor.”


“Estão em minha casa.” Ela caminhou ao braseiro da sala e aqueceu suas mãos nele. “Mas sei que muitos deles falam tão favoravelmente quanto de Togashi Satsu.”


“Ele é neto do Kami do Dragão. É difícil negar que ele possui grande sabedoria.”


“O que é fabulosamente inútil, pois ele nunca faz nada com ela.”


“Alguns diriam que você está sendo injusta em seu julgamento.”


“Quando for Imperatriz me preocuparei em ser justa em meus julgamentos,” disse Hoketuhime. “No momento, estou mais preocupada em ser eficaz.” Ela olhou ao seu visitante. “Você desaprova?”


“Não tanto,” disse Kiharu. “Mas me preocupo. No fim, serão os Céus que nos mostrarão quem se sentará no Trono. Preferiria que não fizesse nada que lhe faça perder seu favor.”


Hoketuhime sorriu para ele. “Com você para me aconselhar, não posso imaginar isto acontecendo.” Ela apontou à porta. “Me acompanhará à corte esta manhã?”


“Claro,” disse Kiharu. Ele deu às ameixeiras um último olhar preocupado e a seguiu para fora da sala.
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